- É muito estranho. - Comentou Charlotte enquanto nos dirigiamos para a sala de convivio, caminhando por cima das poças de água com lama, em vez de vir pelo lado seco do passeio por onde eu ia.
- O quê? - Quis saber.
A minha amiga parou à minha frente e olhou-me com uma cara séria.
- Ter namorado. - Respondeu de sobrancelhas unidas.
- Porquê? - Retorqui.
Charlotte suspirou e apontou para um casal de namorados que se encontravam a namoriscar perto de uma macieira.
- O que têm?
- Repara... - Disse - Eles parecem-te felizes, certo?
Assenti com a cabeça.
- Mas é bom enquanto dura... - Suspirou - É muito raro haver um feliz para sempre...
- Vamos falar de novo sobre relações e divórcios? - Perguntei numa expressão confusa e ao mesmo tempo cansada.
- Não... - Murmurou - Mas farias tudo pelo teu namorado não farias?
- Claro. - Respondi.
- E tudo o que fizeram até hoje, se amanhã terminassem, arrependeres-te-ias no futuro por o teres feito?
- Não. - Respondi com honestidade - Eu não me arrependo de nada. Nada do que tenha feito de bom, nada do que me tenha feito feliz no passado mesmo que me doesse no futuro. Ao invés de um arrependimento, sentir-me-ia feliz. Arrependida, só mesmo pelos erros que vou cometendo. Apaixonar-mo-nos não é um erro, é uma dádiva acolhedora que também nos faz sofrer, da qual não temos culpa pois as emoções humanas sempre foram divinas à sua maneira. Nunca te arrependas de ter sido feliz por um dia no passado, mesmo que o teu motivo se tenha tornado frio no presente. 






